Fauna Brasilis

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Contribuições da Psicanálise ao Século XX/XXI.

Sigmund Freud (1856-1939) costumava dizer que a auto-imagem do Ocidente estava marcada por três grandes golpes na história recente. O primeiro seria a descoberta, por Galileu/Copérnico, de que a terra não era o centro do universo; o segundo, a revelação darwiniana de que a humanidade, longe de ser criada por Deus, descendia de uma espécie tão banal quanto os macacos. E o terceiro seria a percepção de que o indivíduo não era dono de si, mas escravo de um inconsciente que não conhecia e do qual não poderia escapar jamais. Como se vê, Freud tinha noção da importância da sua obra para a humanidade.
O fundador da Psicanálise ressalta-se, está intimamente ligado à Revolução Sexual dos anos 60, que reverbera até hoje.  A cultura, educação e relações sociais foram também modificadas após sua passagem pelo planeta.
Exemplos: a prática clínica mais popularizada, pesquisa e produção de conhecimentos úteis na compreensão dos fenômenos sociais graves como – drogadições, pânico e sexualização da infância, maior tolerância e entendimento em relação às minorias sexuais, educação sexual nas escolas, psicodelia[1] musical e cinematográfica, as flexibilizações nas relações de trabalho, dentre outras.
Atualmente, Freud continua tão polêmico quanto na época em que esteve vivo. Por um lado, é verdadeiramente idolatrado por seguidores ortodoxos da teoria psicanalítica. Por outro, é visto também como um mistificador, principalmente a partir da década de 1990, quando as descobertas da neurociência questionaram muitos dos princípios fundamentais da psicanálise.
A partir do século XXI, a neurociência junto com a psiquiatria moderna iniciou uma exagerada “medicalização dos males da alma”.
Em suma: para quê passar horas a fio dissecando seu passado e se você pode “curar” suas dores com antidepressivos, ansiolíticos e afins em apenas alguns dias? Além dessa justificativa, lançam a já conhecida crítica de Karl Popper, filósofo da ciência:
“Para ele, a psicanálise é uma pseudociência. Um exemplo é a teoria freudiana do "Complexo de Édipo". Freud afirmava que esse complexo era universal, mas com que base de dados chegou a essa conclusão? Na época da formulação da psicanálise, a sua "amostra" era bastante limitada; parte dela vinha de sua experiência subjetiva (a sua "auto-análise" precedendo a publicação de A Interpretação dos Sonhos e da sua prática clínica, feita na maioria das vezes com pacientes burgueses de uma Áustria vitoriana. Ou seja: uma amostra retirada de contextos bem específicos e que não poderiam fundamentar a universalidade pretendida pelo autor.)
Freud deixou vários discípulos que contribuíram para a divulgação da Psicanálise pelo mundo. Alguns criaram seus próprios métodos investigativos, sem, porém, abandonar as bases psicanalíticas outros apenas discordaram ou enriqueceram ainda mais a abordagem. Abaixo alguns deles:  Anna Freud, Carl Gustav Jung, D. W. Winnicott, Melanie Klein, Ernest Jones, Sándor Ferenczi, Wilhelm Reich, Jacques Lacan.


[1] Psicodelia – Manifestação da mente, vivenciada muitas vezes por meio do uso de substâncias psicoativas como o LSD, que produz efeitos profundos sobre a experiência consciente.  Dar-se vazão à percepção da mente desconhecida, exuberante, selvagem e livre de amarras civilizatórias, ou seja oID.  Tanto o cinema quanto a música exploraram temas como: subjetividade, obsessão, alucinações, loucura, melancolia, sexo e afins. Internacionalmente seus maiores representantes, principalmente, no período entre 1965/1969 foram: The Beatles, The Doors, Pink Floyd e The Who. No Brasil, Secos e Molhados.